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Nota oficial da ABORDA sobre a visita do Papa Bento XVI à Fazenda Esperança, em Guaratinguetá.

Na Idade Média, os leprosários se espalhavam por todo o território europeu. A lepra, hoje denominada “hanseníase”, era concebida como uma demonstração da fúria de Deus diante do pecado. Os leprosos, concebidos como amaldiçoados.

Comunidades terapêuticas como a Fazenda Esperança, dirigida por Frei Hans, não são leprosários: são espaços de promoção da vida. Felizmente, temos um bom número de sérias instituições semelhantes no Brasil, contribuindo sobremaneira para o tratamento de pessoas que desenvolvem problemas relacionados ao uso abusivo e/ou problemático de álcool e outras drogas. Não obstante, é preciso que não nos esqueçamos de dois outros grupos:

O primeiro é constituído por pessoas que não tiveram direito ao mesmo tratamento digno que recebem os residentes da Fazenda Esperança. São pessoas que, por azar ou falta de cuidado, foram presas antes que a oportunidade de encontrar um tratamento diferente da cadeia lhes batesse à porta. Para estas, há muito poucas esperanças: uma vez no sistema penitenciário, tornam-se alvo de estigmas quase insuperáveis.

O segundo grupo é constituído por pessoas que, mesmo em contato com tratamentos como o da Fazenda Esperança, não conseguem deixar as drogas. Dados de uma das melhores comunidades terapêuticas do Brasil, no início do século XXI, davam conta de que algo em torno de 15% das pessoas que iniciam um tratamento seguem em abstinência depois de 5 anos. O restante acaba retornando ao uso.

Se não pensarmos em alternativas capazes de contrapor-se ao modelo carcerário, e que possam ajudar aos jovens que não se beneficiam do modelo proposto pelas comunidades terapêuticas, teremos de prestar contas com nossas consciências, e com os que virão depois de nós. E com Deus, para aqueles que n’Ele acreditam.

Elandias Bezerra Souza
Presidente da ABORDA
Associação Brasileira de Redutores e Redutoras de Danos
Goiânia, 12 de maio de 2007.