Marcha da Maconha – Brasil 2008 » Blog Archive » Falem da maconha, mas não esqueçam a marcha

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Pouco se comentou sobre a verdadeira causa da manifestação da Marcha da Maconha, ocorrida no dia 6 de maio na orla de Ipanema, que visa não só tirar parte do poder (lê-se financeiro e territorial) que o crime organizado detém, mas também amparar pessoas inocentes (digo, não criminosas) que vivem o perigo constante de cruzar essa fronteira imaginária entre sociedade e marginalidade que a Lei do Dinheiro desenha.

Acredito que a idéia da Marcha da Maconha, aparentemente para quem pesquisar sobre o assunto, é a sociedade assumir essa demanda através do uso industrial e médico amparando os cidadãos que, afinal, apesar de usuários, sustentam esse sistema falido pagando suas contas e suas drogas com dinheiro honesto e limpo.

No entanto, é claro que não preciso nem explicar que os colÉGUAS fizeram questão de demonstrar através dos jornais que seria apenas uma manifestação pra fumar “unzinho? na esquina. A matéria do Globo Online foi tão infeliz que o link direcionava à página do Jornal Extra – da mesma empresa – propositalmente para caracterizar uma segunda importância ao assunto, visto que é voltado para um público de pouca formação opinativa. Na matéria foi preciso criar uma polêmica inútil e apelativa relativa ao uso do Cristo Redentor no panfleto de divulgação da marcha. Como se fosse apenas permitido acesso ao Corcovado àqueles cristãos devidamente batizados.

Tive uma ligeira impressão de que essas pautas sobre a marcha são encaradas como aquelas sobras de gaveta que não podem ser ignoradas por sua origem polêmica, e, assim então, são passadas ao estagiário-focão ou àquele idiota lá no fundo da redação que ninguém chama pra beber uma cerva no final do expediente, tamanha falta de argumentação para um assunto que até mesmo o atual governador pronunciou publicamente. Imparcialidade ou ignorância sobre o assunto?

Já O Dia Online começou bem, mas terminou nos absurdos. Um colÉGUA reproduz o depoimento do senhor diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) afirmando que “O uso (da maconha) por motoristas é uma das principais causas de acidentes de trânsito?. O QUE ACONTECEU COM AS BEBIDAS? FORAM DRAGADAS PELO RALO CELESTE OU ESSE DOUTOR BEBEU TODAS? Eu que não me trato com esse maluco.

César Maia, louco, chega a convocar traficantes para a passeata. RID?CULO PARA NÃO ACHAR TRISTE, POIS ELE É O PREFEITO.
O outro, carente de mídia no estilo Clô da Segurança Púbica, intimida os parlamentares que viriam a participar do evento com ameaça de processo no Conselho de Ética da casa legislativa a que pertencem. O QUE UM SUJEITO DESSES T? FAZENDO NA VIDA POL?TICA DESSE PA?S? Alguém arruma um emprego pra ele, por favor.

Ainda por cima ele achou um absurdo a realização da passeata ser “anunciada? um dia após a morte de um policial. DESINFORMAÇÃO É FODA. A passeata é tradicionalmente todo ano, na mesma data, realizada simultaneamente em mais de 200 cidades em todo o mundo. DISCURSO MANJADO É FODA. Lamento pelo policial, mas a verdade é que também morrem não-policiais diariamente e a passeata serve, exatamente, para evitar que coisas assim se tornem conseqüências normais do dia-a-dia como vêm acontecendo.

O que realmente foi bom de ver foi a passeata com seus “apenas? 250 participantes segundo as fontes da Polícia Militar ou como denominaram nossos colÉGUAS. Os organizadores, no entanto, afirmam que havia muito mais pessoas do que o descrito pelos meios de comunicação e que isso era bastante visível para quem estivesse lá. Para a imprensa tais números podem não representar muito, mas contando que a cada ano a passeata se encorpa e toma uma consciência mais madura, a esperança de ver um futuro diferente alimenta esse movimento que é um dos poucos que mantém uma tradição mundial.

Contando também que a manifestação aconteceu no exato momento da final do Campeonato Carioca, era de se esperar que aparecesse um número limitado de pessoas até porque uma das poucas coisas que mobiliza o cidadão brasileiro, na verdade, é uma coisinha bem redonda, seja rolando ou rebolando.