Marcha da Maconha – Rio 2007 » Blog Archive » Resposta pública aos desrespeitos contra a produção científica sobre drogas na área das ciências humanas, realizadas através de ataques pessoais ao prof. Dr. Henrique Carneiro

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Do Observatório da Cannabis

Há alguns dias, o sr. Reinaldo Azevedo publicou em seu blog um ataque pessoal, grosseiro e preconceituoso ao Dr. Henrique Carneiro, historiador e professor a Universidade de São Paulo (USP). O ataque, que visava desqualificar as posições políticas do prof. Henrique, procurou basear-se na estratégia de ridicularizar o fato da produção acadêmica do prof. Carneiro ser dedicada à historia social dos usos de substâncias psicoativas.

Sem nem ler um livro ou mesmo qualquer artigo, nem procurar entrar nos detalhes dos temas abordados, ou ao menos aproximar-se do conteúdo trabalhado pelas diversas áreas das ciências humanas dentro da temática do consumo de ‘drogas’, o sr. Azevedo sugeriu que por ser sobre ‘drogas’, só poderia ser uma produção acadêmica sem valor, enfatizando que o tema escolhida para ser trabalhado, por si, já desqualificaria qualquer resultado exposto nos trabalhos do prof. Henrique.

Independente da posições políticas do prof. Henrique Carneiro, que podem ser debatidas e atacadas, mas sempre com respeito e discussão de idéias, sua obra é um exemplo de rigor, erudição e trabalho árduo, feito muitas vezes sem as melhoras condições para isso, devido às péssimas estruturas, à falta de recursos humanos e financeiros, tão típicos do sistema público de educação – cenário bastante diferente do sugerido pelo sr. Azevedo. Ao desrespeitar esse trabalho, sem ao menos saber qual é, posto que afirmou nunca ter lido, Reinaldo Azevedo desrespeita não apenas ao Dr. Carneiro, mas a todos os pesquisadores da áreas das ciências humanas, que dedicam suas investigações ao tema do consumo de substâncias psicoativas.

Fica o apelo para que, mesmo em discussões publicadas em blogs, os autores procurem ter maior responsabilidade editorial com relação aos conteúdos publicados, uma vez que mesmo para a Internet, existem princípios éticos, limites legais e morais, para a realização da exposição públicas de conteúdos e opiniões, sejam elas embasadas em dados científicos ou apenas no “achismos” de colunistas virtuais.