Marcha da Maconha – Brasil 2008 » Blog Archive » Convite à Sociedade Brasileira

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Nosso trabalho é transparente e nossas posições podem ser encontradas publicadas no site. Caso ainda fique alguma dúvida sobre nossas intenções, estamos completamente abertos para esclarecê-las. Não atuamos de forma combativa. Queremos o diálogo, o debate franco. procuramos estimulá-lo para poder atuar dentro dos caminhos legais possíveis. Não nos julguem sem ao menos nos conhecer, ninguém tem esse direito.

O Coletivo Marcha da Maconha Brasil vem a público para deixar mais uma vez claro que a nossa intenção não é estimular o uso, plantio ou tráfico de maconha, ou afrontar a ordem ou saúde pública, muito menos chocar a moral e os costumes de qualquer segmento da sociedade brasileira.

Nós acreditamos que a forma como as atuais Leis e Políticas Públicas são construídas e aplicadas têm fracassado nos objetivos que se propõem e queremos manifestar nossa insatisfação com essa situação.

Da forma como está, as pessoas adultas que experimentam, fazem uso habitual ou são dependentes de maconha sofrem um severo processo de exclusão, sem garantias de acesso à cidadania nem à saúde. Mesmo com as mudanças nas penas previstas pela Lei 11.343, os cidadãos que portam ou plantam pequena quantidade, mesmo para consumo próprio têm sido tratados no mínimo como doentes, quando não são considerados delinqüentes e criminosos.

No entanto, em 2005, o II Levantamento Domiciliar sobre o uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, revelou que 8,8% dos brasileiros já havia fumado maconha ao menos uma vez na vida, 2,6% ao menos uma vez no ano da pesquisa e 1,9% pelo menos uma vez no mês em que a entrevista foi realizada. Nesse mesmo ano, segundo Relatório do Departamento Penitenciário Nacional, existiam pouco mais de 200.000 vagas ocupadas por quase 300.000 detentos em estabelecimentos superlotados e com estruturas precárias. Fica fácil imaginar a tragédia social, econômica e política que aconteceria se todas as quase 6 milhões de pessoas estimadas pela pesquisa de 2005 tivessem sido presas em flagrante quando experimentaram fumar maconha.

O Coletivo Marcha da Maconha Brasil não é o culpado pelo alto número de pessoas que experimentam a planta e descobrem que as informações veiculadas oficialmente não correspondem à realidade. Também não somos responsáveis pelo visível fracasso das atuais políticas públicas e leis sobre drogas. Muito menos nós somos a causa do atual contexto que dá margem para o surgimento e crescimento da violência, corrupção e criminalidade relacionados com o mercado criminalizado.

Ao contrário. Somos um sintoma de que as atuais políticas e leis sobre a maconha não dão conta nem de compreender, muito menos de regular a atual realidade social. Somos conseqüência de um sistema que age de forma vertical, sem estabelecer canais de diálogo com a sociedade à qual pretende proteger e servir, mesmo quando os movimentos sociais organizados procuram construir esses canais.

O trabalho do Coletivo Marcha da Maconha Brasil não deve ser confundido com o de organizações criminosas, nem nossas atuações devem ser entendidas como proselitismos, ações de vagabundos presunçosos ou apologia ao crime, como querem alguns.

Aliás, a Marcha da Maconha não é nem nunca foi apenas um evento para pessoas que usam maconha. O Evento é construído para que todos possam se manifestar, homens e mulheres, cidadãos brasileiros, que acreditem que existem formas melhores de lidar com as pessoas que fumam maconha do que considerá-las criminosas.

Nosso trabalho é transparente e nossas posições podem ser encontradas publicadas em nosso site. Caso ainda fique alguma dúvida sobre nossas intenções, estamos completamente abertos para esclarecê-las. Não atuamos de forma combativa. Queremos o diálogo, o debate franco, procuramos estimulá-lo para poder atuar dentro dos caminhos legais possíveis.

Gostaríamos de pedir que não nos julguem sem ao menos nos conhecer, ninguém tem esse direito. Se restam lacunas no que sabem sobre o nosso trabalho, antes de criar conceitos prévios, nos procurem. Estamos abertos a sugestões, críticas e principalmente ao diálogo democrático e livre de preconceitos.

Aproveitamos para fazer um convite especial a todos os familiares, parentes, amigos e conhecidos de pessoas que usam maconha e que sabem que a planta não é um problema na vida do seu ente querido. Afinal, as pessoas que usam maconha também têm família e, em geral, essas sofrem mais por medo de seus filhos serem presos, sofrerem violência ou serem discriminados, do que dos possíveis danos causados pela maconha.

Se você tem alguém próximo que não tem problemas com o hábito, mas pode sofrer preconceitos, violência ou ser considerado um criminoso por conseqüência do status legal da planta, venha acompanhá-lo na Marcha e ajudar a exigir formas de elaborar e aplicar as leis e políticas sobre a maconha mais transparentes, justas, democráticas e que respeitem a cidadania, os direitos humanos e a diversidade cultural.

Afinal, pessoas normais, direitos iguais.

Coletivo Marcha da Maconha Brasil

[email protected]

www.marchadamaconha.org