Marcha da Maconha – Brasil 2008 » Blog Archive » Marcha da Maconha termina em clima de festa

0

do JC OnLine

Cerca de 1.500 pessoas, segundo informações da Polícia Militar de Pernambuco, participaram no final da tarde deste domingo (4) da Marcha da Maconha no Recife. Por volta das 16h, os manifestantes – que “vestiram” a camisa do movimento internacional pela legalização da erva – deixaram a concentração, na Rua do Apolo, em direção à Rua da Moeda, No Recife Antigo. Durante o curto trajeto, os participantes fizeram performances artísticas e distribuiram materiais informativos pelas ruas do Centro.

Grande parte dos manifestantes permaneceram na Rua da Moeda após o término da marcha para assistir a apresentações de DJs. O clima é de festa e promete durar a noite inteira.

O protesto foi marcado pela tranqüilidade. Alguns manifestantes optaram por usar as máscaras com rostos de personalidades que defendem publicamente a causa, disponibilizadas no site oficial do evento. Mas a grande maioria dos presentes resolveu participar do movimento de cara limpa, assumindo a opinião a favor da legalização da maconha. Muitos casais, inclusive, chegaram a levar seus filhos.

Algumas personalidades pernambucanas também marcaram presença no evento, como o músico Zé da Flauta, o cineasta Cláudio Assis e o presidente do PSOL/PE e pré-candidato à prefeitura do Recife, Edílson Silva. Este último chegou a subir no palco armado na Rua da Moeda para se manifestar a favor da descriminalização da erva. Ele chamou a atenção dos presentes para a aceitação social de drogas lícitas, como o álcool. “Estou aqui com uma droga”, disse segurando um copo de vinho na mão.

Cerca de 20 homens do 16º Batalhão da PM acompanharam a marcha “apenas para manter a ordem”, disse um policial. Fumar maconha ou levar a droga até o local foi proibido, uma vez que tal conduta é considerada crime pela lei brasileira.

REPERCUSSÃO – Segundo Gilberto Lucena Borges, que faz parte da Associação de Usuários e Ex-usuários de Álcool e Outras Drogas, a Se Liga, foram distribuídos 20 mil panfletos na Região Metropolitana do Recife. Ele ressalta que o material foi distribuído em locais onde não havia menores de idade. Gilberto enfatiza ainda que o movimento respeita as leis, por isso não foi tolerado o uso da maconha. “Mas defendemos a legalização, através da mudança de leis”, disse.

A marcha é promovida simultaneamente em mais de 220 cidades em todo o mundo. Os organizadores da marcha no Brasil afirmam que não têm o objetivo de estimular o uso ou o cultivo da droga, e sim de discutir as atuais leis e as políticas públicas. O evento foi realizado também nas capitais brasileiras de Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), e Vitória (ES).

A marcha foi proibido pela Justiça em Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Rio (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Em todos os casos, foi o Ministério Público Estadual que moveu o pedido de impedimento do evento sob o argumento de que ele faz apologia às drogas.