Marcha da Maconha – Brasil 2009 » Apologia ou livre expressão?

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MACONHA // Marcha internacional que defende a legalização da droga ganhará as ruas do Recife em maio

Apologia ou direito de se expressar? O movimento que vai reproduzir em Pernambuco a Marcha Mundial da Maconha terá que se equilibrar numa corda fina – no próximo dia 4 de maio -, para manter os limites entre os que querem enaltecer o consumo livre da droga e os defensores da legalização do alucinógeno, como forma de combater a criminalidade. O evento previsto para acontecer no Recife e em mais 11 cidades do país conquistou o primeiro objetivo antes de sair às ruas: estimulou o debate sobre o tema no estado campeão no ranking nacional em produção da planta Cannabis Sativa – popularmente conhecida como maconha.

O evento que acontecerá em mais 200 cidades pelo mundo, abre polêmica em todo o país, mas ainda demonstra receio de mostrar a cara no Recife – onde terá apoio da “Associação Se Liga”; da “Associação de Usuários de Álcool e outras Drogas”; e do Instituto Papai. Um dos principais organizadores do ato pediu ao Diario para ser fotografado de perfil (sem mostrar claramente o seu rosto) e depois informou que os participantes também poderão usar máscaras se quiserem aderir à causa da legalização. Uma causa que pode não ter rosto, embora exista uma série de argumentos para os que a defendem.

Professor de história, representante do “Se Liga”, Gilberto Borges Lucena tem resposta para diversas perguntas sobre a legalização, mesmo se reservando ao direito de não mostrar a face. Ele conta que o evento sairá da Rua do Apolo, com concentração às 15h, e terminará na Rua da Moeda, no Recife Antigo, mas terá um perfil “bem diferente do desfile do Bloco Segura a Coisa no carnaval de Olinda” – troça conhecida por sua apologia à maconha.

De acordo com Gilberto, o evento terá “seriedade” e não dará permissão ao uso da droga no local – por ser crime perante a Justiça. Opiniões contrárias frisam que o fim do tráfico de maconha não implicará no “desemprego” dos criminosos, porém o professor entende que a legalização reduziria, sim, a violência. “Defendemos a legalização porque é uma forma do estado arrecadar mais impostos e desmontar a rede criminosa da maconha (produção, distribuição e comércio no varejo). A disputa no narcotráfico causa violência e assassinatos”, afirma.

O professor ainda acrescenta que 95% dos atendimentos relacionados ao uso de drogas “lícitas e ilícitas” são destinados aos usuários de álcool – que pode matar quem usa e quem não usa. “Você já ouviu falar em overdose de maconha?”, questiona com tom confiante e, claro, responde: “Não há”.

O corpo – No debate sobre a legalização, também entra o direito de cada um sobre o próprio corpo. “A polícia não sai por aí prendendo quem consome açúcar e sal, que fazem mal à saúde. Os usuários da maconha também têm direito de usar o corpo livremente, sem prejudicar ninguém”, argumenta. Questionado porque defendia a legalização de substância alucinógena, o professor de história respondeu: “Não há registro de uma sociedade humana que não tenha feito uso de substâncias que alteram a percepção, a forma de ver o mundo”.

Por, Aline Moura

Da equipe do Diario