Marcha da Maconha – Brasil 2009 » Blog Archive » Aumento da potência da canábis é “mito urbano”, diz OEDT

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do portal Esquerda.net

O Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência escolheu o dia internacional contra o abuso e o tráfico ilegal de drogas para lançar uma monografia científica de referência sobre a canábis. O OEDT vem contrariar os “relatórios alarmistas” que referiam que os charros de hoje são mais fortes se comparados com os que se fumavam nos anos 70, ao afirmar que a potência da canábis vendida na UE estabilizou na última década.

A agência da UE escolheu o estudo aprofundado da canábis para assinalar este dia e lançou a monografia “Uma leitura sobre a cannabis: questões globais e experiências locais — Perspectivas sobre as controvérsias a respeito da cannabis, o seu tratamento e a sua regulamentação na Europa .” O objectivo do OEDT é proporcionar informações que contrariem as informações “enganadoras” que intoxicam a opinião pública.

São mais de 700 páginas que abarcam várias secções, da evolução política, legislativa, económica e social à prevenção, ao tratamento e cuidados de saúde. Um trabalho exaustivo que terá muitos interessados, se considerarmos que um em cada cinco europeus já consumiu canábis ou haxixe na vida e que, só no último mês, 13 milhões o fizeram em solo europeu.

“Embora a cannabis seja a droga ilícita mais consumida na Europa, pode também constituir um factor de grande controvérsia, dando origem a frequentes debates entre os responsáveis políticos, os cientistas, os investigadores, as autoridades responsáveis pela aplicação da lei, os profissionais desta área e os cidadãos. Consequentemente, o público vê-se diariamente confrontado com uma torrente de informações sobre a cannabis — algumas delas bem fundamentadas, outras promocionais e, por vezes, enganadoras. Esta monografia foi concebida como um guia fiável de referência sobre este assunto de carácter complexo, contribuindo deste modo para a investigação, o debate e a tomada de decisões políticas”, afirma o Director do OEDT, Wolfgang Götz.

A monografia analisa o regresso das políticas restritivas em relação ao consumo na última década, exemplificando com os casos da Holanda, Dinamarca, Itália, Luxemburgo e Reino Unido.

Sobre a divulgação de “estudos” que de tempos a tempos surgem na imprensa, associando o consumo de canábis aos mais variados efeitos na saúde do consumidor, o OEDT diz que “é prematuro retirar conclusões definitivas sobre diversos problemas de saúde de longa duração associados ao consumo de cannabis”, embora seja possível ligar o consumo de canábis a doenças respiratórias. O facto deste consumo ser muitas vezes associado ao álcool e ao tabaco dificulta mais ainda a identificação dos efeitos, tal como o facto dos principais consumidores serem jovens saudáveis.

“Esta monografia realça o facto de a cannabis não ser apenas uma substância estática, imutável, mas sim um produto dinâmico, sujeito a uma evolução gradual no que respeita à potência, à prevalência e às técnicas de cultivo. Embora os padrões de consumo continuem a ser, em grande parte, ocasionais, existem indícios de um consumo mais intensivo que suscitam questões sobre futuros problemas sociais e de saúde”, destacou o presidente do Conselho de Administração do OEDT, Marcel Reimen.

A monografia destaca ainda as reservas manifestadas, sobretudo na Comissão da ONU sobre estupefacientes, em relação a abordagens mais tolerantes do fenómeno do consumo de drogas. Esta quinta-feira, num debate parlamentar sobre o tema, o deputado João Semedo lembrou que essa Comissão definiu uma estratégia na década de 90 assente nas políticas proibicionistas e que era intitulada “Um mundo livre de drogas em 2008″. O rotundo fracasso do proibicionismo está bem evidente no título da própria estratégia, referiu o médico e deputado do Bloco de Esquerda.