Marcha da Maconha – Brasil 2009 » Brasil

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do fórum Marcha da Maconha

Vitor Pordeus
Médico pesquisador do Centro de Ensino e Pesquisa do Hospital Pró-Cardíaco e do Center for Autoimmune Diseases, Sheba Medical Center, Tel Aviv University, Israel.

“A parte maior de nossa população é mantida numa bruma luminosa de afirmações e superstições antigas, por seus padres, príncipes e donos de terra, que esconde as maquinações dessa gente… …O nosso recurso novo, a dúvida, encantou o grande público que arrancou os telescópios de nossas mãos e apontou-o para os seus carrascos”

Bertold Brecht em Vida de Galileu.

Pode até ser surpreendente, mas a “satanizada” maconha é um dos mais antigos remédios utilizados pelo homem. Seu cultivo e consumo pela humanidade são tão antigos que torna difícil determinar sua origem exata. O registro mais antigo é de aproximadamente 4000 antes de Cristo na China e sua origem, acredita-se, é na Ásia central. A primeira evidência de sua utilização médica data de 2737 a.C., quando o imperador chinês Shen Nung, também descobridor do chá e da efedrina, descreve as suas propriedades terapêuticas, em um compêndio de ervas medicinais chinesas. Na medicina ocidental, a introdução da erva ocorreu em 1839 e é atribuída a William O’Shaughnessy, médico-cirurgião britânico, que trabalhou na Índia. O Dr. O’Shaughnessy descreve então as propriedade analgésicas, estimuladoras de apetitite, inibidoras de vômito, relaxantes musculares e anticonvulsivantes da cannabis. A partir daí, houve uma importante expansão de sua utilização no império britânico, culminando no ilustre caso da própria Rainha Vitória, que utilizava maconha para o alívio de suas dores menstruais. Em 1854, a maconha é listada na farmacopéia dos Estados Unidos e é vendida livremente nas farmácias do ocidente, permanecendo assim por mais de 100 anos.
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