Marcha da Maconha – Brasil 2009 » Depoimento fornecido ao DENARC por manifestante preso na Marcha da Maconha em Fortaleza.

0

Texto fornecido pelo próprio manifestante na comunidade “Marcha da Maconha – Fortaleza” do Orkut:

“Vou aqui reproduzir o depoimento que forneci à delegacia de narcóticos respondendo à intimação trazida por um oficial de justiça em minha residência. Apenas omitirei algumas informções pessoais por questão de segurança, etc.”

GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA SOCIAL POLÍCIA CIVIL

DELEGACIA DE NARCÓTICOS

TERMO DE DECLARAÇÃO

INQUERITO Nº 310 – 00053/ 2008

Aos 30 dia(s) do mês de JULHO de 2008, nesta cidade de FORTALEZA, Estada do Ceará, onde pela(s) 09:35 hora(s), presente achava-se o(a) Bel(a). CÉSAR WAGNER MAIA MARTINS, DELEGADO(A), comigo SUZETE MARIA LIMA GONÇALVES, Escrivã(o) de seu cargo, ao final assinado, aí compareceu em Cartório CAUE LAUREANO AVELINO, nacionalidade BRASIL, SOLTEIRO(A), SUPERIOR INCOMPLETO, ESTUDANTE/ PROFE., filho(a) de XXXXX XXXXX XXXXX XXXXX E XXXXX XXXXX XXXXX XXXXX, nascido (a) em 09/01/1979, natural de BAURU/SP, residente à XXXXX XXXXX XXXXX, FORTALEZA-CE, telefone: XXXXXXXX. Inquirido(a) pela Autoridade, DISSE QUE: através do site denominado “Marcha da maconha” da Internet, tomou conhecimento que no dia 04/05/2008 ocorreria uma passeata em 11 capitais brasileiras em defesa da legalização do uso da maconha, evento este que também seria realizado em outros países; Que, o evento foi sendo divulgado “boca-a-boca” e também pelo orkut, sendo determinado como local a Praia de Iracema, sendo previamente comunicado às autoridades competentes; Que, no dia 04/05/2008, por volta de meio-dia, iniciou-se a concentração do grupo de aproximadamente 50 pessoas na Ponte Metálica, entre elas o declarante; Que, o grupo portava cartazes e faixas com dizeres como “SOMOS À FAVOR DA LIBERAÇÃO DA MACONHA” e frases semelhantes, sendo que logo no início da passeata foram abordados pela polícia militar, tendo o major e sua equipe informado ao grupo que o Poder Judiciário havia determinado a proibição da passeata e que a equipe policial estava ali para fazer cumprir a ordem da juíza, advertindo verbalmente todo o grupo; Que, então, os cartazes e faixas que falavam explicitamente da maconha fora recolhidos pelos policiais e o grupo foi orientado a se dispersar enão realizar o moviemento; Que, inicialmente o grupo reagiu à idéia, alegando que o local era público e que a manifestação er direito constitucional, mas acataram a ordem policial, tendo o declarante e cerca de mais 30 participantes saído do local e se dirigido ao Centro Cultural Dragão do Mar, onde se reuniram e alguém teve a idéia de continuar a passeata, mas sem mencionar o nome maconha e sim somente a liberdade de expressão; Que, saíram em passeata com cartazes que falavam apenas da LIBERDADE DE EXPRESSÃO, sendo que em torno de 200 metros adiante, foram abordados na rua pela equipe policial, comandada pelo Major já mencionado; Que, nessa ocasião, o major leu para o grupo o teor da determinação judicial e, em seguida, conduziu o declarante e seus companheiros ao plantão policial do 2º Distrito, onde foram em seguida liberados; Que, afirma que além dos cartazes, a polícia apreendeu um recipiente contendo pequena quantidade de “farelos” de maconha, porém ninguém assumiu como seu; Que, o declarante gostaria de esclarecer que a idéia da manifestação era criar uma discussão na sociedade sobre o uso da maconha com a intenção de legalizá-lo, e, também mostrar que a proibição do uso da maconha é o que favorece o tráfico, pois poderia ser algo legalizado; Que, a intenção do movimento também não era afrontar o estado ou a sociedade, nem mesmo fazer apologia ao crime, é tanto que o evento foi previamente comunicado, mas sim queriam aproveitar-se de um movimento mundial para criar uma discussão em torno do fato e futuramente que fosse criado um projeto de lei que legalizasse o uso da maconha; Que, o declarante e seus companheiros entendem que o álcool é também uma droga e muito mais nociva, visto que se ouve falar de pessoas que morrem em virtude do uso de álcool, que causam acidentes e coisas terríveis, porém nunca se ouviu falar que alguém morreu por fumar maconha; Que, acredita também que o tráfico de drogas em si é algo negativo para a sociedade; E nada mais disse nem leh foi perguntado, mandou a Autoridade encerrar o presente termo que, lido e achado conforme vai devidamente assinado por todos e por mim SUZETE MARIA LIMA GONÇALVES, Escrivã(o) que o digitei.

DELEGADO (A): DECLARANTE:

ESCRIVÃ(O):

_______________________________________________________________
DELEGACIA DE NARCÓTICOS Impresso em: 30/07/2008 10:26

Ele ainda deixa outro recado:

“Oi galera, quero dizer que este é o depoimento oficial e também que algumas coisas eu disse espontâneamente e outras fui provocado por perguntas como o caso do “recipiente” que ao questionado sobre a apreensão do mesmo, relatei que lembrei que eles apresentaram aquilo que recolheram no chão e guardaram como fazendo parte da cena da abordagem, mesmo ninguém tendo reconhecido como seu. Mas é isso aí. Ah, e as informações pessoais que omiti, substituí por XXXXXX, e nada mais omiti. Vlw!”