Marcha da Maconha – Brasil 2009 » Governo Lula, provocado, entra no debate sobre as drogas

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do blog Sobredrogas

Finalmente, o governo Lula entrou no debate das drogas. Depois de o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, falar em necessidade de aperfeiçoamento da legislação vigente – que ainda abre brechas para a prisão de usuários e a corrupção policial – o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, se disse favorável ao debate em torno da descriminalização da maconha.

Nesta quarta, a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia defendeu a liberação do uso da droga. Em uma conversa reservada que tivemos o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, meu colega de blog Paulo Mussoi e eu, FHC criticou a falta de posicionamento sobre o tema no atual governo. Crítica com a qual concordo. O governo Lula, neste caso, cala e consente violência, abusos e hipocrisias.

Se o governo liderado pelo PT se diz progressista, não pode lavar as mãos. Tudo bem, a mudança na lei, para melhor, foi assinada pelo presidente Lula. Também na gestão dele, a Secretaria Nacional Anti Drogas passou a se chamar Secretaria Nacional Sobre Drogas, mudança simbólica, mas que não se refletiu, na prática, em ações educativas mais eficientes e numa discussão aberta sobre o tema. E o tabaco é um exemplo tão bacana de como a educacão sempre é mais eficaz do que a porrada policial (não aplicado ao cigarro, uma droga legal).

FHC afirma que políticos não gostam de abordar o assunto por medo de reações negativas nas urnas. Lembrou da eleição para a Prefeitura de SP em que foi acusado pelo adversário Jânio de ser maconheiro. “Tudo porque, numa entrevista anos antes, me perguntaram se eu havia fumado maconha e disse que tinha experimentado com meus primos, todos banqueiros, quando jovem”.

O fato é que, como reconhece a comissão, a maconha é uma droga muito popular, que causa danos menores do que os provocados por drogas lícitas e que alimenta a corrupção e parte do volume de negócios do narcotráfico. Se o governo se calar, corre o risco de perder para oposicionistas a dianteira em um diálogo que muito interessa a jovens eleitores. Tudo bem, a posição de FHC é mais cômoda agora, quando já não disputa mais cargos eletivos. Mas é muito bom que um ex-presidente, que no governo se aliou a algumas das forças mais conservadoras do país, avance e traga uma nova posição em um assunto tão carente de opiniões corajosas.