Marcha da Maconha – Brasil 2009 » Blog Archive » PE: Marcha legalizada. Maconha, não

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LIBERDADE // Autoridades de Pernambuco não aprovam, mas também não criam resistência contra a caminhada pela descriminalização do consumo da droga

O clima de tensão existente em outros estados do país diante do evento nacional que se aproxima e visa defender a legalização da maconha não teve reflexo, até ontem, em Pernambuco – um dos 12 estados no Brasil a receber o movimento. As autoridades estaduais não declaram guerra contra os organizadores antes de saber como a Marcha Mundial da Maconha irá se comportar no próximo dia 4 de maio, às 15h, no Recife Antigo. Bem diferente da Paraíba, por exemplo, onde o Ministério Público, a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança prometeram instalar câmeras para monitorar a manifestação e proibir a presença de menores.

O procurador-geral de Justiça de Pernambuco, Paulo Varejão, posicionou-se contra a causa que move o evento, mas não antecipou eventuais decisões que poderá tomar contra a Marcha. Ele demarcou posição e disse não poder apoiar um ato público pela legalização, quando o MPPE é responsável pelas ações penais contra qualquer tipo de crime, inclusive aqueles relacionados às drogas. Ele destacou, no entanto, que vai “respeitar a liberdade de expressão” dos que quiserem participar. Decisão semelhante à da Secretaria de Defesa Social (SDS), revelada ontem por meio da assessoria de imprensa.

“O Ministério Público não pode apoiar este tipo de manifestação, até porque o uso e o tráfico de drogas são os maiores motivadores da violência que o estado está tentando combater. A droga é uma das razões para Pernambuco figurar entre os estados mais violentos do país”, frisou Varejão.

Enquanto na Paraíba já existem ações de vereadores e deputados para tentar impedir a realização da Marcha, o clima em Pernambuco permaneceu sem pressões em cima dos organizadores no estado. Não houve opiniões manifestadas por parlamentares de forma espontânea. Ou seja, sem serem provocados pela reportagem.

Seis milhões – Um dos organizadores da Marcha em Pernambuco – o professor de história Gilberto Borges Lucena – explicou ter enviado um comunicado sobre o ato público ao governador Eduardo Campos (PSB) e ao prefeito do Recife, João Paulo(PT). Ele reafirmou que a passeata vai sair da Rua do Apolo até a Rua da Moeda sem estimular o uso da maconha e sem admitir o fumo entre os participantes.

Gilberto Lucena argumentou que o consumo da maconha era permitido no Brasil até 1932. Baseado em dados do IBGE, ele frisou existir cerca de seis milhões de brasileiros usuários freqüentes do alucinógeno – de modo que os estados não podem evitar a discussão do tema, como faz Pernambuco. Para ele, da forma como está, o consumo proibido estimula o tráfico ilegal e a violência. O professor lembrou que a Marcha vai distribuir máscaras com o rosto de artistas e políticos favoráveis à maconha para os que sentirem vergonha de se mostrar. Ele admitiu ser uma contradição uma causa sem rosto, mas justificou que “nem todos estão preparados para aparecer”.

Por Aline Moura

Da equipe do Diario