Marcha da Maconha – Brasil » Estudo de ONG pernambucana indica que uso de crack por adolescentes que fazem programas ultrapassou o de maconha

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do Correio Braziliense

A exploração sexual de jovens para fins comerciais na Região Metropolitana do Recife (RMR) ganhou novo contorno. Pesquisa divulgada ontem pela ONG Centro de Prevenção às Dependências revelou que o uso do crack entre as pessoas que fazem “programas” no Recife (PE) ultrapassou o de maconha e já é a droga ilícita mais consumida por eles. O estudo foi realizado ao longo de um ano no Recife, em Olinda e no Cabo de Santo Agostinho junto a 142 jovens (de 10 a 24 anos), sendo 97 meninas e 45 meninos (todos travestis). A pesquisa foi encomendada pelo Ministério do Turismo, que aproveitará os dados para embasar políticas públicas junto a esses jovens.

Os resultados chamaram a atenção das coordenadoras do levantamento. “A própria Associação das Profissionais do Sexo de Pernambuco se queixa do quanto o crack vem acabando com as jovens exploradas sexualmente. Elas passam a não se cuidar, ficam descalças, com roupas rasgadas e se diferenciam das outras, que são vaidosas”, comentou Denise Maia, do Centro de Prevenção às Dependências. Se antes as meninas e os meninos usavam drogas para atuarem nos “programas”, agora já são registrados casos de jovens que fazem o caminho inverso: topam saídas em troca de dinheiro para bancarem o consumo do crack.

Nos três municípios visitados, o álcool ainda é a droga lícita mais usada. No Recife, 80% das entrevistadas disseram usar álcool, 71%, tabaco, e 38,5%, maconha. Mas 41,2% já estão dependentes do crack. Em Olinda, o uso do crack (32,2%) já se aproxima do uso de tabaco (41,9%). No Cabo, o uso de crack é menor, com registro de 26,9% de jovens consumindo a droga. “Os serviços de saúde, assistência e segurança muitas vezes não protegem esses jovens, não têm conhecimento da realidade deles. O estudo é para que sejam realizadas políticas públicas voltadas para essa população que tem uma grande representatividade no estado. Pernambuco, junto com Fortaleza e Rio Grande do Norte, estão na rota do turismo com fins sexuais no Nordeste”, destacou Ana Glória Melcop, da ONG responsável pelo estudo.

Triste precocidade
Também chamou a atenção dos pesquisadores a iniciação sexual precoce dos entrevistados. Ao todo, 25% deles afirmaram ter tido a primeira experiência sexual com menos de 10 anos; 15% disseram ter tido a primeira relação sexual com menos de 10 anos e 5% afirmaram ter iniciado a vida na exploração sexual com menos de 10 anos. “As campanhas de sensibilização são importantes, além da divulgação do serviço de denúncia Disque 100, que recebe ligações de todo o país que contenham informações sobre exploração de crianças e adolescentes”, destacou Elisabeth Bahia, coordenadora de Turismo Sustentável e Infância do Ministério do Turismo.

Quanto à gravidez, 90% contaram já ter engravidado e 20% disseram ter provocado o aborto, enquanto 58% têm um filho. Ao todo, 38% têm o fundamental incompleto. A pesquisa revelou também que muitas se dizem insatisfeitas com a vida e até revelam o desejo de viajar. O sentimento é explicável: 50% delas afirmaram não gostar de fazer programas e, em média, ganham até dois salários mínimos mensais.

O número 142 – Número de jovens ouvidos no estudo encomendado pelo Ministério do Turismo